Conheci Maria de Nazaré em Mato Grosso.
Chegamos na mesma época e nos instalamos em casas próximas. A vizinhança não foi nada calorosa conosco e, sempre que se referia a nós, era: “as nortistas que caíram aqui de pára-quedas.”
Talvez por isso mesmo, sendo tão diferente do contexto, nos tornamos amigas inseparáveis.
Logo que nossos maridos saíam para o trabalho, minha nova amiga deixava os três filhos e corria em busca de companhia.
Eu também me sentia só…
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Adicionado por Margarida Studart em 13 julho 2010 às 2:33 —
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Naquela tarde, eu e meus filhos, fomos ao hospital buscar Nelson que fizera uma cirurgia nos olhos.
Encontramos o médico nos esperando na portaria. Quando nos viu, foi dizendo:
- O paciente teve complicações sérias.
- Quais? – perguntou meu filho médico. E os dois saíram em direção a UTI, enquanto eu, como sempre, calma e impassível esperava na sala.
Depois de minutos, que me pareceram horas, eles voltaram e me passaram a responsabilidade de decidir entre desligar os aparelhos que faziam o coraç…
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Adicionado por Margarida Studart em 13 julho 2010 às 2:20 —
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REMORSO
Depois de um casamento desastrado, dois filhos para criar e recursos parcos, voltei à faculdade.
Dessa vez, sem a influência quase tirânica da família, escolhi a Faculdade de Direito. Foram quatro anos difíceis. Além da responsabilidade com os estudos, as queixas dos filhos e críticas dos familiares.
Tudo, no entanto, me pareceu válido diante do orgulho que senti no dia da formatura, fazendo o juramento, nem sempre cumprido, de bacharelato. Ainda teria que estudar muito para vencer a pr…
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Adicionado por Margarida Studart em 13 julho 2010 às 1:56 —
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LONGE DE MIM
De todas as candidatas que responderam ao anúncio, a que mais me agradou foi Alfredina. Limpa, cabelos presos, roupa sóbria, de poucas palavras, mas sempre delicada com as crianças.
Tudo que eu lhe ensinava, executava melhor do que eu.
Finalmente tinha encontrado a doméstica dos meus sonhos.
Algum tempo depois seu corpo aumentou e a barriga cresceu. Sugeri que ela estava grávida. Negou energicamente e não pensei mais nisso.
Um dia estávamos almoçando e, contra seus hábitos, ela d…
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Adicionado por Margarida Studart em 13 julho 2010 às 1:21 —
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Eu gostava dele. Juro que cheguei a amá-lo. Só não gostava quando se tornava inconveniente. Fazia carinhos em locais não adequados. Ficava irritada; às vezes, até furiosa.
Logo na viagem de núpcias, Miguel tornou-se insuportável. Detestei tudo nele. Seus lábios melados e quentes sobre a minha boca, suas mãos sôfregas passeando pelo meu corpo e aquela parte dele que entrava em mim e me machucava toda.
Nunca poderia imaginar que o casamento fosse tão humilhante.
Perdi a privacidade. Dividia tudo c…
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Adicionado por Margarida Studart em 8 julho 2010 às 1:04 —
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Eu gostava dele. Juro que cheguei a amá-lo. Só não gostava quando se tornava inconveniente. Fazia carinhos em locais não adequados. Ficava irritada; às vezes, até furiosa.
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Adicionado por Margarida Studart em 8 julho 2010 às 0:52 —
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PREPOTÊNCIA
Quando o vi pela primeira vez eu era uma menina de treze anos, pequena e muito magra. E ele, homem alto, forte e bonito.
Olhei-o com insistência procurando lembrar o nome do artista de cinema com quem parecia. Naquela época eu tinha um álbum com fotos de todos os ídolos do cinema.
Envaidecido, ele disse para todos ouvirem: “Teófilo, tua irmãzinha quer me namorar.”. Todos riram de mim.
Zangada, jurei nunca mais olhar ou falar com ele.
Alguns anos depois, nos encontramos no baile de…
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Adicionado por Margarida Studart em 6 julho 2010 às 11:29 —
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Aristides e Durval não conheceram alegria de um lar feliz. Não se lembravam do colo do pai, dos beijos da mãe, de uma mão calorosa segurando as suas. Jamais se lembravam de um gesto que denotasse carinho ou proteção.
Só tinham um ao outro.
Suas mais remotas lembranças estavam ligadas a gritos de terror da mãe e agressões de um pai bêbado. E eles dois apavorados procurando um lugar para se esconder. Dentro dos armários, em baixo das camas, atrás de móveis ou qualquer outro lugar, desde que longe…
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Adicionado por Margarida Studart em 6 julho 2010 às 9:28 —
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REGINALVA
Reginalva era a filha caçula da família. Alta, magra, tinha os cabelos claro, lisos. Andava com os pés virados para fora, o que lhe valeu o apelido de “quinze para três”. Desde pequena denotou um comportamento estranho. E suas duas irmãs a evitavam sempre.
Sua mãe ficara viúva ainda jovem, com a enorme responsabilidade de criar os filhos e as duas enteadas do primeiro casamento do marido.
Na grande casa onde moravam, montou um colégio que era o único da redondeza e, ela, a única pro…
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Adicionado por Margarida Studart em 25 junho 2010 às 20:04 —
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ORFÃ
Não conheci meu pai, e jamais ouvi falar dele. Quando tinha quatros anos mamãe morreu tuberculosa. Saí do casebre onde vivia, para a casa da minha madrinha.
E tudo mudou.
Lembro-me do primeiro copo de água gelada que bebi, da cama cheirosa e macia no quarto só meu, do armário cheio de roupas novas, dos vestidos combinando com sapatos e bolsas. As meias e as luvas eram feitas de tricô.
E sentada na mini-penteadeira eu me via no espelho bem diferente da menina que mo…
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Adicionado por Margarida Studart em 25 junho 2010 às 19:59 —
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Adicionado por Margarida Studart em 13 junho 2010 às 13:00 —
4 Comentários
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Adicionado por Shatz em 4 junho 2010 às 17:23 —
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Adicionado por Shatz em 4 junho 2010 às 15:31 —
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De uma gota
Do orvalho
Nasceu uma rosa
Com sua beleza
Seu perfume
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Adicionado por Reinaldo Lamenza em 3 junho 2010 às 16:04 —
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Adicionado por Margarida Studart em 3 junho 2010 às 4:30 —
1 Comentário
TRAPALHADAS
Conhecia os dois e era confidente de ambos. Mas não sabia dizer como acabaria a sua história.
Cada um deles fingia desejar a própria salvação. Mas, acima de tudo, temiam perder o que lhes restava da relação. E nenhum deles ousava romper o tênue fio que os unia.
Noélia, certa de que não era mais amada, pedia socorro. Chegou até a trancar-se no banheiro e ameaçar cortar os pulsos.
Não creio que levasse a termo essa ameaça. Se desejasse realmente suicidar-se, não pediria socorro, não…
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Adicionado por Margarida Studart em 1 junho 2010 às 13:30 —
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Adicionado por Shtazieg em 28 maio 2010 às 10:05 —
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Adicionado por Shtazieg em 27 maio 2010 às 1:26 —
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Adicionado por Shtazieg em 26 maio 2010 às 23:11 —
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O problema da pol
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Adicionado por Ronaldo Pereira de Lima em 12 maio 2010 às 8:04 —
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