MULHER SELVAGEM
Terceiro lugar
Arita Damasceno Pettená – nascida em Florianópolis – SC
Reside em Campinas – S. Paulo.
Quebrei a ânfora dourada
do interior da sala.
Caco por caco jazem para sempre
no lixo sem memória
-Por que não restaurá-la?
Indagou uma voz em comovido tom.
O silêncio se fez ouvir mais forte
Prevaleceu o raciocínio lógico.
Destroço por destroço,
Jamais consegui juntar-me por inteiro,
E eu sou alma... e eu sou espírito...
Entre a peça de inestimável valor
E a vida que, pouco a pouco, se me esvai,
Perdôo a mim mesma
O gesto repentino e inesperado
Da arte que se expunha sobre a mesa,
A mulher-selvagem que existe dentro de mim
Clama espaços em órbitas de luz.
E eu era sombra do palco das lembranças:
Sou agora livro que se abre
Engolindo palavras de esperança...
E a ânfora?
-A ânfora agora sou eu,
Dourando de luar teus sonhos de amor.
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